A Ação Social nas Igrejas Evangélicas

Vivemos em uma época de muita retórica, de muita falácia, e temos visto muitas denominações grandes e influentes que não dedicam nada ou quase nada de sua influência ou bens materiais na ação social, muito pelo contrário, tosquiam as ovelhas pobres e as fazem imaginar que sejam prósperas em sua pobreza ou até mesmo miséria. Igrejas e denominações que crescem vertiginosamente, mas que não constroem um hospital sequer, uma creche, uma casa de recuperação, um asilo, nada, simplesmente nada senão algumas cestas básicas ou algum sopão para alívio de consciência… O sopão e a cesta básica são importantes sem duvida, e muitas igrejas e organizações procuram fazer o que podem nesse sentido, porém aqui neste texto contundente me refiro às igrejas que não carregam consigo a “bolsa para os pobres” que o Mestre Jesus carregava, ou infelizmente essa bolsa ainda continua nas mãos dos “judas” e este recurso não chega ao seu destino. A ação social tem sido a meta da minha vida, e o que busco não é condenar absolutamente ninguém ou nenhuma organização, mas tão somente inspirar, treinar, mobilizar e fornecer ferramentas para a ação social nas igrejas, na forma de palestras, treinamentos e cursos.Segue um trecho do Manual de Ação Social para Igrejas: “Imaginemos uma pequena congregação que tenha surgido no meio de uma grande favela. Com o passar do tempo esta congregação constituiu-se em uma bonita Igreja e suas instalações outrora humildes transformam-se em um templo bonito e amplo e em alguns casos até mesmo suntuoso, ostentando mármores e carpetes. Olhando-se porém ao redor desta Igreja, percebe-se que a mesma favela lá permanece, o mesmo povo humilde e pobre, a mesma miséria e criminalidade, o mesmo desemprego e injustiça social… ”Todavia a Igreja é linda e próspera”. Muitos imaginam que assim deve ser, pois a “Casa de Deus tem de ser de fato bonita e bem cuidada”. Continuemos raciocinando e analisando esta suposta situação aqui exemplificada. Templo não seríamos nós, muitas vezes de barriga vazia e até desempregados, analfabetos, ou em qualquer outra circunstância adversa. E se nós é que constituímos o Templo do Espírito Santo de Deus, como Templo de Deus muito melhor tratamento deveríamos ter para com nós mesmos e uns para com os outros. Quero com isto dizer de forma simples e objetiva que, baseados no raciocínio exposto, provavelmente para Deus, “mais vale proporcionarmos alimento a quem tem fome que erigirmos torres e campanários”. Certamente que devemos contextualizar este pensamento referente as instalações de uma igreja, lembremo-nos de que exemplificamos a Igreja constituída no centro de uma favela. Diferente de uma Igreja que venha a existir em um local nobre, de pessoas abastadas financeiramente, pois neste local o Templo haveria de harmonizar-se com o contexto local. Pergunto: qual o contexto mais comum à realidade brasileira, são os lugares humildes e carentes ou os lugares chamados “chiques”? Mas o que infelizmente vemos e normalmente ocorre é que as Igrejas, ainda que muitas sem essa intenção, concorrem em construção de templos e medem a sua espiritualidade mediante o tamanho e a localização de seus templos. E a miséria, a fome, o desemprego, a criminalidade e a carência de escolas e hospitais continuam ao nosso redor. Significando dizer que enquanto pregamos o Jesus despojado de bens e citamos os cristãos primitivos que tinham tudo em comum, o que realmente fazemos é egoisticamente desfrutar de bens que nunca nos saciam e ignorarmos as mazelas que nos cercam, e nos tornando assim um povo de Deus consumista e secularizado. “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.” I João 2:15 A Ação Social na Igreja nada mais seria, portanto, que a manifestação pratica da mensagem do evangelho, um evangelho também de atitudes e não somente de palavras. Mas imaginemos ainda que aquela Igreja do bairro humilde tivesse exercido o seu papel cristão na íntegra e tivesse agido como um verdadeiro agente social que espera-se que seja, que a igreja crescesse e prosperasse na mesma medida em que cresceram e prosperaram os seus humildes membros bem como toda a comunidade local, mediante a luta pelos direitos de cidadania e o exemplo do amor cristão expresso nas atitudes de amor. “Pois que não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? ” I João 4:20b

Pelos frutos conhecereis a árvore, e que frutos estamos produzindo nós como Igreja e Corpo de Cristo do século XXI?

Será que nós evangélicos não poderíamos fazer um pouco mais do que fazemos atualmente pela sociedade? Podemos concluir assim que Ação Social na Igreja é simplesmente interagir com a nossa comunidade, dentro do nosso próprio contexto e buscarmos trazer progresso espiritual e material aos que nos cercam. A Igreja deve ser, portanto um “agente social”, assim como a nossa família também o é, na medida em que influenciamos nossa vizinhança positivamente buscamos agir como cidadãos cristãos que somos. E por quê a Igreja Evangélica deveria envolver-se em questões sociais? Dia destes quando eu argumentava a este respeito com alguém exemplifiquei algumas religiões e organizações diversas que prestam auxilio aos necessitados e que nisso merecem ser imitadas, e o meu interlocutor ficou agitado e indignado com minhas colocações, disse que era teólogo e isso era descabido, e eu admito que de fato ele seja um irmão sincero. Então ele sabiamente me apresentou um argumento que julgava muito forte: “Disse ele que, segundo uma ilustração, uma serva de Deus orava pedindo alimento a Deus e o diabo ouvindo a oração manda que um demoniozinho leve os alimentos para a serva de Deus e depois lhe diga que quem enviou fora o diabo. Pois bem, o mensageiro levara os alimentos e entregara a mulher, como ela não disse nada ele, o demoniozinho, diz a mulher se ela não teria curiosidade de saber quem enviara o alimento que ela pedira a Deus, e num “gran finale” meu interlocutor termina dizendo que a senhora respondeu: Quando Deus manda até o Diabo obedece…” Argumento muito fraco este querido leitor, uma estória de carochinha pra justificar a omissão dos crentes… Perguntei se meu amigo evangélico imaginava que todos os que não sejam “evangélicos” e que ajudam e atendem ao clamor do pobre seriam enviados do diabo, e ele meio confuso me deu a entender que sim. Então tivemos de desmontar este argumento ingênuo, o que fizemos de forma muito simples perguntando a ele simplesmente o seguinte: Irmão se Deus manda e até mesmo o diabo obedece (e eu concordo inteiramente com isso) por que é então que os “crentes” não obedecem? Por que os crentes não ajudam aos necessitados, se Deus manda que se faça isto em sua Palavra? E ainda desprezam e criticam os que o fazem! Deus julgará as obras de todos no juízo final, portanto aguardemos e façamos a nossa parte. Ele gaguejou sem resposta e no fim rimos juntos sendo que ele se comprometeu a ajudar uma obra social da sua própria igreja. Talvez ainda existam muitos líderes que entendam que a missão da Igreja é apenas “espiritual”, somente pregar a palavra, não devendo o líder sair do templo para se envolver em questões como trabalho, educação, saúde, assistência social, cidadania, ajudar orfanatos, asilos, creches, etc. Vamos abordar este tópico no próximo capítulo e você querido leitor tire as suas próprias conclusões.Trecho do Manual de Ação Social para Igrejas.” Clique Aqui para ver mais

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Pr. Daniel Ferreira

Sobre o pastor Daniel Ferreira de Souza: – Pastor desde 1985 ( pela Church of God in Christ) - Atualmente servindo como Pastor na Sede da Convenção Estadual das Igrejas O Brasil para Cristo no Estado de São Paulo. – Casado com a Missª Irene ha 38 anos, são pais de Fabio (37) e Keila (32) e avós de Caio – Bacharel em Teologia (FTSA) – Psicanalista Clínico – Escritor e Palestrante.

Website: http://www.igrejaatuante.com.br

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